Há quase três décadas quando ainda jovem morei na Itália, li um artigo em uma revista que falava sobre um homem que formou um bosque com árvores frutíferas não tinha a regularidade de um pomar ou a preocupação de alinhar ou mesmo de hierarquizar pelo porte essas árvores. Não sei porque mas, essa idéia me impressionou e instigou a fazer algo parecido, isto tudo tingiu a minha alma, estava lançada a semente dentro do meu subconsciente.... e daí nasceu o que chamo de
 “Projeto Bosque-Pomar”
 

 
A idéia era conviver entre essas árvores, colhendo seus frutos nas diferentes estações do ano. Misturei a idéia original colocando também árvores ornamentais onde me delicio  em apreciar as flores e a beleza dessas arvores.

Uma coisa que herdei desse período que vivi na Itália é o do bosque que se caminha por entre as arvores com facilidade, coisa que na podemos fazer em  nosso Brasil por termos uma vegetação mais rasteira e densa.

Nada como caminhar livremente entre as árvores e também enxergar  por entre elas, misturando-se frutas, flores  e folhas de arvores exóticas, nativas e ornamentais e mais as dezenas de orquídeas, bromélias, liláceas, lírios da paz, etc. que plantei ao redor destas árvores.
       
O objetivo do “Projeto Bosque-Pomar” é não fazer como muitos chacareiros que tem nos seus pomares 10 pés de laranja, 10 de tangerina, 10 de limão etc. eles não sabem o que fazer com o excedente. As grandes famílias acabaram, e as chacaras continuam iguais, e lá se vai o cidadão com um saco de laranja não sabendo o que fazer com aquilo tudo, já da próxima vez ele nem vai colher, 80% fica no pé e apodrece, e o pior que passarinho não gosta muito de laranja e que dirá de limão...        
Dividir e diversificar  este é o meu lema, não só com um vizinho ou amigo, mas a meio (ou por inteiro com faço com as bananas) com os pássaros e animais silvestres.
        
Plantando, pesquisando o desenvolvimento e esperando o resultado da frutificação de mais de 100 frutíferas, exóticas, silvestres e nativas escolhi 25 espécies que existem no Interior de São Paulo, na nossa mata atlântica, na imensidão do cerrado, em meio as densas florestas amazônicas ou de outras regiões do planeta para escrever sobre elas no livro “Projeto Bosque-Pomar”.
 
Porque só estas vinte e cinco?  Por serem e terem sabores exóticos ou diferentes a um paladar acostumado com as maças, pêras, e outras frutas encontradas nos mercados, que na aparência são tão perfeitas, sem uma mancha um furinho de bicho um ponto preto, (Mais parecem frutas de cera).  Que ao provar uma uvaia, ou um araçá sintam um sabor diferente que nos trará até lembranças da nossa infância onde se encontrava: pitanga, jabuticaba, nêspera por toda parte.  No nosso bosque pomar, vamos colher  frutas bem menores, sem uniformidade de tamanho, e até mesmo com uns furinhos de bicho, etc... (sim, não são de cera).
 
João Carlos dos Santos    - p.a.f. – (Pesquisador na área de fruticultura)
Parodiando uma frase de Burle Max no prefacio do livro Frutas Brasil Frutas  de Silvestre Silva "Não sou Botânico, mas o mundo da botânica sempre foi o meu mundo"
 

 
Fiorino Grill